CartogrAfia Feminista 

PRÁTICAS E SABERES ANCESTRAIS

As práticas e saberes tradicionais inspiram, ressignificam e potencializam nossas formas de existir e resistir na Zona Oeste.

 

Nossa auto-organização nos territórios molda-se nas experiências das mulheres que plantam em seus quintais e jardins, semeiam as matas, que são guardiãs das nascentes dos rios e das sementes crioulas, as parteiras e benzedeiras, conhecedoras da culinária de quilombo e terreiro, da alimentação saudável, do feitio de óleos, essências, cremes, sabonetes e poções de cura.

 

As ervas e temperos unem quintal e cozinha, ganham as ruas, as praças, dão o tom das feiras e mercados solidários e dos espaços políticos a céu aberto. A afetividade e a valorização da diversidade de crenças e visões políticas colorem a luta do feminismo periférico, os modos como ocupamos os calçadões, que realizamos as caravanas de reconhecimento do nosso território, em bando, sozinhas. O pensamento tem como oeste a coletividade.

São práticas que renascem a cada dia em nossa dedicação com os cuidados com nossos corpos e espaços de intimidade, na casa, na cozinha e no quintal vazado que permite o cochicho e a fofoca de portão. São práticas artesanais e de costura da identidade ancestral entre nós.